1. Nos últimos dias tivemos a liquidação do banco Master e agora de outras duas instituições ligadas ao Master. O que as pessoas devem prestar atenção ao escolher um banco para fazer investimentos?
O caso do Banco Master e, por consequência, do Will Bank, serve como um alerta fundamental para todos os investidores. A escolha de uma instituição financeira não deve ser baseada apenas na rentabilidade oferecida. É crucial realizar uma análise criteriosa da saúde e da solidez do banco. Recomendo que as pessoas prestem atenção em três pilares principais:
Primeiro, os indicadores de solidez. Existem dados públicos que funcionam como um verdadeiro raio-x da saúde de um banco. Os mais importantes são:
- Índice de Basileia: Este é talvez o indicador mais importante. Ele mede a relação entre o capital próprio do banco e o capital de terceiros que está exposto a risco. No Brasil, o Banco Central exige um mínimo de 10,5%, mas um índice confortável e seguro estaria acima de 15%. Quanto maior, mais capital o banco tem para absorver perdas inesperadas.
- Rating de Crédito: Agências de classificação de risco como S&P, Moody’s e Fitch avaliam a capacidade de um banco de honrar suas dívidas. Um rating elevado (como AAA ou AA) indica um risco de crédito muito baixo. Rebaixamentos sucessivos no rating de uma instituição são um sinal de alerta.
- Lucros Recorrentes: Analisar os balanços do banco para verificar se ele apresenta lucros consistentes ao longo do tempo é um bom indicativo de uma operação saudável e sustentável.
Segundo, a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). É essencial confirmar se o investimento que você está fazendo é coberto pelo FGC. O fundo garante até R$ 250 mil por CPF por instituição em caso de quebra. Produtos como CDB, LCI, LCA e depósitos em conta corrente e poupança são cobertos. No entanto, é importante lembrar que o FGC é uma rede de segurança, não um motivo para ignorar os riscos.
Terceiro, desconfie de promessas de rentabilidade muito acima da média. Bancos com dificuldades financeiras podem oferecer taxas de retorno extraordinariamente altas para atrair capital de forma rápida. Se uma oferta parece boa demais para ser verdade, ela provavelmente embute um risco maior.
| Indicador | O que é | Nível Seguro | Onde Consultar |
| Índice de Basileia | Relação entre capital próprio e ativos de risco | Acima de 15% | Sites como Banco Data ou relatórios da instituição |
| Rating de Crédito | Nota sobre a capacidade de pagamento | Grau de Investimento (AAA, AA, A, BBB) | Sites das agências (S&P, Moody’s, Fitch) |
| Cobertura FGC | Garantia para investidores em caso de quebra | Até R$ 250 mil por CPF/conglomerado | Site oficial do FGC |
2. Que tipo de riscos as pessoas correm ao fazer investimentos? Quais os tipos de investimentos mais seguros?
Todo investimento envolve algum nível de risco, e compreendê-los é o primeiro passo para uma decisão consciente. Os principais riscos são:
- Risco de Crédito: É o risco de o emissor do título (o banco, no caso de um CDB) não honrar o pagamento. Foi exatamente o que aconteceu com o Banco Master. A proteção do FGC mitiga esse risco até o limite de R$ 250 mil.
- Risco de Mercado: Refere-se à possibilidade de perdas devido a oscilações nos preços dos ativos, causadas por fatores econômicos e políticos, como variações na taxa de juros, inflação ou câmbio.
- Risco de Liquidez: É a dificuldade de converter seu investimento em dinheiro rapidamente sem perdas significativas. Alguns investimentos têm prazos de carência ou, em momentos de crise, podem ter poucos compradores.
Quanto aos investimentos mais seguros no Brasil, a segurança está diretamente ligada à qualidade do emissor. A ordem, do mais seguro para o menos seguro (ainda dentro de um perfil conservador), seria:
- Títulos do Tesouro Direto (Tesouro Selic, por exemplo): São considerados os ativos de menor risco do país, pois são 100% garantidos pelo Governo Federal. O risco de crédito é praticamente nulo, pois o governo é o emissor da moeda.
- CDBs, LCIs e LCAs de grandes bancos (bancos de primeira linha): Instituições com décadas de história, alta lucratividade e elevados Índices de Basileia oferecem grande segurança. Além disso, esses produtos contam com a garantia do FGC.
- Poupança: Embora sua rentabilidade seja geralmente menor, a caderneta de poupança é muito segura, sendo também garantida pelo FGC e oferecida por instituições financeiras sólidas.
É fundamental diversificar. Mesmo ao investir em produtos seguros, não concentre todo o seu capital em uma única instituição ou em um único tipo de ativo.
3. Tem como “prever” que um banco será liquidado?
Prever com 100% de certeza é impossível, mas existem fortes indícios que podem e devem ser monitorados. A liquidação de um banco raramente acontece da noite para o dia. É um processo de deterioração. Os principais sinais de alerta são:
- Indicadores Financeiros em Queda: Um Índice de Basileia que cai consistentemente trimestre após trimestre, aproximando-se do mínimo regulatório, é um sinal vermelho claro. Balanços que reportam prejuízos recorrentes também indicam problemas sérios.
- Taxas de Captação Exageradas: Como mencionei, se um banco de médio ou pequeno porte oferece um CDB pagando muito acima do que os grandes bancos oferecem, isso pode indicar uma necessidade urgente de caixa para cobrir outras obrigações.
- Notícias Negativas e Rebaixamento de Rating: Acompanhar o noticiário econômico é crucial. Informações sobre investigações, perdas inesperadas ou o rebaixamento da nota de crédito por agências especializadas são avisos importantes.
- Intervenção do Banco Central: O estágio anterior à liquidação é, muitas vezes, um regime de administração especial, como o RAET (Regime de Administração Especial Temporária) pelo qual o Will Bank passou. Quando o Banco Central intervém na gestão de uma instituição, é o sinal mais claro de que a situação é gravíssima.
O investidor diligente, que acompanha esses fatores, consegue reduzir drasticamente a probabilidade de ser pego de surpresa.
4. Para os clientes do Will Bank, o que eles devem fazer agora? Eles correm o risco de ficar sem o dinheiro investido?
Para os clientes do Will Bank, a primeira recomendação é manter a calma e buscar informações nos canais oficiais. As operações do banco, como saques, pagamentos e transferências, estão suspensas. A partir de agora, um liquidante nomeado pelo Banco Central assume a administração da massa falida.
O risco de perda do dinheiro depende do valor que cada cliente possuía na instituição:
- Para quem tem até R$ 250.000,00: O risco de perda é muito baixo. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobre o valor total, somando-se o saldo em conta e os investimentos garantidos (como CDBs). O FGC já anunciou que iniciará o processo de pagamento. Os clientes devem baixar o aplicativo do FGC e seguir as instruções que serão divulgadas para solicitar o ressarcimento. O processo pode levar algumas semanas, mas a garantia é sólida.
- Para quem tem mais de R$ 250.000,00: Infelizmente, o cenário é mais complexo. O FGC garante apenas o teto de R$ 250 mil. O valor que excede esse limite não tem garantia e entra na fila de credores da massa falida do banco. A recuperação desse valor excedente é incerta e, se ocorrer, pode levar anos, dependendo da venda dos ativos restantes do banco para pagar seus credores.
E as faturas de cartão de crédito? As dívidas com o banco, como faturas de cartão de crédito, não desaparecem. Elas devem ser pagas normalmente. O liquidante informará os meios para a quitação desses débitos. Não pagar pode levar à negativação do nome.
Em resumo, a orientação é: aguarde as instruções oficiais do FGC e do liquidante, não confie em informações de terceiros e, para valores acima do teto, esteja ciente de que a recuperação será um processo mais longo e incerto.









